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Distressed assets: a classe de investimento que poucos conhecem e que pode gerar 25% ao ano

  • 16 de abr.
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Distressed assets

Quando a maioria dos investidores ouve "empresa em recuperação judicial", a reação imediata é: risco alto, fuja. O que poucos sabem: existe mercado estruturado de compra de ativos e dívidas dessas empresas — e investidores especializados fazem fortuna nele.

Chama-se distressed investing. E não é para qualquer perfil. Mas para quem entende como funciona, pode ser uma das classes de ativo com melhor relação risco-retorno do portfólio.


O que são distressed assets

Distressed assets são ativos (dívidas, participações acionárias, imóveis, equipamentos) de empresas em situação de estresse financeiro severo — recuperação judicial, liquidação extrajudicial, falência.

Esses ativos são vendidos com deságio profundo porque o mercado não tem liquidez, credores querem sair rápido, e há assimetria de informação (comprador precisa entender jurídico, contábil e operacional ao mesmo tempo).

Exemplo: crédito de R$ 10 milhões contra empresa em RJ sendo vendido por R$ 3 milhões. Se o plano de recuperação for aprovado e a empresa pagar 50% do crédito em 5 anos, investidor recupera R$ 5 milhões — retorno de 67% sobre capital investido, ou 10,8% a.a.

Se a empresa se recuperar completamente e pagar 100%, retorno sobe para 233% (26,4% a.a.). Se a empresa falir e liquidar ativos, investidor pode recuperar zero. Por isso é distressed: risco binário, retorno assimétrico.


Os três tipos de distressed investing

Compra de crédito com deságio: Investidor compra dívida de empresa em RJ ou falência por fração do valor de face. Lucra se empresa se recuperar e honrar pagamento parcial ou total. Risco: empresa não pagar nada. Retorno esperado: 15% a 30% a.a.

Compra de participação acionária: Investidor compra ações ou quotas de empresa em RJ por valor simbólico (equity vale zero no balanço porque passivo > ativo). Aposta que após reestruturação, empresa volta a valer algo. Risco altíssimo. Retorno potencial: 100x se der certo, zero se não der.

Compra de ativos: Investidor compra imóvel, equipamento ou marca de empresa em liquidação por preço abaixo de mercado. Revende com lucro ou usa operacionalmente. Menor risco (ativo é tangível). Retorno esperado: 12% a 20% a.a.


Por que esse mercado existe

Assimetria de informação. Avaliar crédito distressed exige conhecimento jurídico (entender RJ, ranking de credor), contábil (saber se balanço está maquiado) e operacional (empresa tem chance real de recuperar?). A maioria dos investidores não tem os três. Logo, mercado é ilíquido e preços ficam distorcidos.

Urgência de saída. Bancos, fornecedores e fundos não querem ficar 5 anos esperando RJ se resolver. Preferem vender crédito com 70% de deságio e recuperar caixa imediato. Quem compra está comprando paciência + conhecimento.

Má precificação de risco. Mercado trata "RJ" como sinônimo de "falência certa". Mas estatisticamente, 40% das RJs terminam com empresa operando e pagando credores parcialmente. Investidor que sabe separar RJ viável de RJ terminal lucra com essa imprecisão.


Investir em empresas em recuperação exige entender o passivo fiscal delas — e a linha entre planejamento lícito e crime tributário é mais tênue do que parece. Veja mais nesse outro blog:


Como investir sem ser especialista

Investidor pessoa física ou empresa não especializada não deve comprar crédito distressed diretamente. Risco de due diligence errado é alto demais.

O caminho é via fundo especializado: FIDCs de crédito distressed, fundos de PE focados em turnaround, ou fundos de ativos (que compram imóveis e equipamentos de empresas em liquidação).

Esses fundos têm equipe dedicada — advogado recuperacional, contador forense, analista operacional — que avalia cada ativo antes de comprar. Ticket mínimo: R$ 100 mil a R$ 500 mil dependendo do fundo.

Retorno médio histórico de fundos distressed no Brasil (últimos 10 anos): 18% a 22% a.a. Volatilidade alta, mas descorrelacionado de renda fixa e equity tradicional — ou seja, funciona como diversificação de portfólio.


Quando NÃO investir em distressed

Se você precisa de liquidez em menos de 3 anos, distressed não serve. Esses ativos são ilíquidos por natureza. Fundo pode ter lock-up de 24 a 60 meses.

Se você tem baixa tolerância a volatilidade, também não serve. Valor de cota pode cair 30% num trimestre e subir 50% no seguinte. Não é renda fixa.

Se você não tem expertise para avaliar o gestor do fundo, perigoso. Distressed exige track record comprovado. Gestor novato pode destruir capital rapidamente.


Oportunidade atual: reforma da Lei de Falências

Com mudanças recentes na Lei 11.101 (recuperação judicial), processo ficou mais rápido e previsível. Isso reduz risco para investidor e deve aumentar taxa de sucesso de RJs nos próximos anos.

Ao mesmo tempo, juros estruturalmente mais baixos tornam renda fixa tradicional menos atrativa. Investidores institucionais (seguradoras, fundos de pensão) estão alocando mais em crédito privado e distressed para buscar yield.

Janela está aberta. Mas exige conhecimento para não virar estatística negativa.


Se você quer entender se distressed assets fazem sentido no seu portfólio — ou quer acesso a fundos especializados com track record comprovado — a Babylon Capital estrutura essa exposição dentro da tese de alocação global.

Entre em contato enviando seus dados abaixo. Avaliamos o seu caso e decidimos juntos o melhor caminho. Acesse nossa página e conheça os nossos serviços.



Sobre o Autor


Ricardo Boschi

Ricardo M. Boschi — OAB/RS 58.444


Advogado, CNPI, CVM-19

Fundador da Babylon Capital.

Mais de 20 anos assessorando empresários
em momentos críticos.


© Babylon Capital. Todos os artigos são de autoria de Ricardo M. Boschi e têm finalidade informativa. Não substituem consulta jurídica ou financeira especializada.

 
 
 

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